Personalidades


Charcot

Jean-Martin Charcot (1825-1893), juntatmente com Guillaume Duchenne, é considerado como o fundador da neurologia moderna. Durante mais de 30 anos, trabalhou no hospital Salpêtriere tendo lá estabelecido uma notável escola de neurologia. Possuia particular interesse em histeria e hipnose, tendo também demonstrado com clareza as áreas motoras do córtex cerebral. Junto com o seu interno, Charles Bouchard, descreveu os microaneurismas cerebrais que levam o nome de Charcot-Bouchard. Caracterizou com clareza a Esclerose Lateral Amiotrófica, que na França ainda hoje é denominada Doença de Charcot. Com Marie descreveu a forma peroneal da atrofia muscular, conhecida como Doença de Charcot-Marie-Tooth. Criou a denominação Doença de Parkinson, em homenagem a James Parkinson (1755-1824), que por primeiro descreveu esta doença. Possuia concepções muito claras das diferenças entre doença de parkinson e esclerose múltipla, histeria e epilepsia, neurose e psicose. Para melhor avaliar a marcha dos seus pacientes, aplicava tinta nos pés dos mesmos que então eram solicitados a caminhar sobre papel. Descreveu também a aura epiléptica gástrica e as lesões articulares causadas pela sífilis. Teve como um dos seus mais notáveis discípulos, Sigmund Freud (1835-1930), fundador da psicanálise, bem como Joseph Babinski, Pierre Janet, Albert Londe, Georges Gilles de la Tourette, Charles-Joseph Bouchard e Alfred Binet. Eram famosas as assim chamada Aulas de Terça-Feira no Salpêtriere, onde eram discutidos casos clínicos com demonstrações e correlações anatomopatológicas. Curiosamente, foi Charcot e Bouchard, juntamente com o médico brasileiro Cláudio da Motta Maia, que assinaram o atestado de óbito da S.M.I. D. Pedro II em paris, em 5/12/1891, tendo como causa mortis pneumonia. Em 1960 foi homenageado pela França com um selo contendo a sua imagem e a do Hospital Salpêtriere. (Yvert & Tellier 1260, Scott B344)

Jean Charcot

Jean Charcot (1867-1936) era filho de Jean-Martin Charcot e, tal como o pai, decidiu-se inicialmente por ser médico, tendo então se formado pela Universidade de Paris em 1895. Chegou a trabalhar no Hospital Salpetriêre, optando depois em continuar a sua carreira no Instituto Pasteur. Em 1901 decidiu abandonar a medicina, tornado-se um notável explorador Ártico e Antártico, tendo navegado no  Pourquoi pas? (Porque não?). Faleceu em um acidente marítmo em 1936, tendo sido homenageado em 1961 pelos territórios franceses antárticos com um selo em que ele e o Pourquoi pas? são mostrados. (Yvert & Tellier 19, Scott 21)

Osler

William Osler (1849-1919) é um dos grandes expoentes da medicina clínica contemporânea. Iniciou a sua carreira docente cedo, já aos 26 anos, tendo sido professor de medicina em McGill, na Universidade da Pennsylvania, no John Hopkins e finalmente em Oxford. Foi o primeiro a descrever as plaquetas (1876), tendo escrito monografias sobre tumores abdominais (1895) e endocardite (1908). O seu nome pode ser encontrado como epônimo de diversas doenças. Descreveu a policitemia vera (1903), tendo porém reconhecido o estudo inicial de Vaquez sobre este assunto, de tal forma que esta desordem é conhecida como doença de Vaquez-Osler. Por doença de Osler é conhecida a telangiectasia hereditária com hemorragias recorrentes. Não devem ser esquecidos os nódulos de Osler, encontrados na endocardite. Foi pioneiro em novos métodos de ensino, com a ênfase inédita nas técnicas laboratoriais e tutoria em enfermaria. Suas monografia  Chorea and Choreiform Affections (1894) e Cerebral Palsies of Children (1889) foram escritos a partir da sua experiência clínica na Philadelphia. Outra contribuições neurológicas de Osler foram artigos sobre hemorragia cerebral, concussão cerebral, tumores cerebrais, aneurismas cerebrais, meningite e paralisia infantil. O livro de Osler Principles and Practice of Medicine (1892) era o principal texto médico da época, tendo escrito uma extensa seção sobre doenças do sistema nervoso. Neste livro Osler curiosamente enfatiza a utilidade da acupuntura para o tratamento de dores, notadamente a lombar. Ele era um entusiasta colecionador de livros, tendo uma grande biblioteca que foi doada para a Universidade McGill. Apesar de não ter realizado descobertas fundamentais, não havia outro como ele capaz de inspirar e estimular os alunos e colegas médicos. Ele foi filatelicamente homenageado pelo Canadá em 1969, no quinquagésimo aniversário da sua morte. (Yvert & Tellier 416, Scott 495)

© Roberto Caron 2011