Tratamentos

Mandragora

A raiz da mandrágora (Mandragora officinarum), rica em atropina, era usada como um medicamento contra a dor nos tempos antigos, tendo provavelmente sido um medicamento interessante neste míster. O aroma da fruta da mandrágora, que é muito intenso e fétido, possuia a reputação de aliviar cefaléias e melhorar a insônia. Hipócrates constatou que mesmo uma pequena dose desta planta poderia aliviar ansiedade e depressão. Se bebido, as propriedades hipnóticas da mandrágora possibilitavam  amputações e cauterizações, com menos dor e sofrimento. Também foi usada como afrodisíaco e na tentativa de cura da esterilidade. 

A raiz, por vezes, possui um aspecto semelhante ao de um ser humano. Porisso, dizia-se que a colheita da mandrágora não era realizada senão sob muito risco, pois quando a planta era arrancada ela emitia um forte grito que causava a morte ou a loucura de quem tinha a infelicidade de ouvi-la. Desta forma, em uma noite de lua cheia, recomendava-se cavar em volta da planta, deixando-a fixa apenas por um pequeno segmento à terra. Um cachorro faminto seria então amarrado a mandrágora e alimento seria colocado em uma distância maior do que a extensão da corda que prendia o cão a planta. Na tentativa de alcançar a comida, o cão arrancaria a planta e, com os gritos por ela emitidos, morreria. Por fim, uma vez arrancada, a mandrágora era inofensiva e poderia então ser coletada com segurança.

Um selo comemorando o Sétimo Congresso Europeu de Anestesiologia em 1986 reproduziu uma ilustração medieval da Biblioteca Nacional Austríaca, retirada do livro Tacuinun Sanitatis (1474). Nele é mostrato uma mandrágora com sua raiz de aspecto humano sendo arrancada por um cachorro. Um homem aparece correndo com pressa, para escapar do grito fatal que seria emitido pela planta. Coitado do cachorro! (Yvert & Tellier 1687, Scott 1360)


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O uso da acupuntura para o tratamento de diversos quadros funcionais, com ênfase na dor, é uma prática muito antiga. As raízes míticas desta prática terapêutica remontam ao Imperador Amarelo (Huang Di), um dos lendários fundadores da civilização chinesa. Na verdade, as primeiras referências históricas e arqueológicas sobre o uso de agulhas com finalidade de tratamento são encontrados no período dos Estados Combatentes (475 - 221 a.C), tendo esta prática atingido o seu auge na dinastia Han (206 a.C - 220 d.C). Sabe-se hoje que todos os resultados terapêuticos obtidos por meio da acupuntura podem ser neurofisiologicamente explicados, pois ela nada mais é do que uma forma de neuroestimulação periférica, com efeitos locais, segmentares, suprasegmentares e sistêmicos. Desde 1995 a acupuntura é reconhecida pelo conselho Federal de Medicina como especialidade médica. Em 1975, durante o governo de Mao Tsé Tung, foi emitido pela República Popular da China um selo onde é demonstrada uma cirurgia cardíaca realizada com hipoestesia induzida por acupuntura. (Yvert & Tellier 2016)









 

© Roberto Caron 2011